Antes só do que mal acompanhado: a filosofia dos solteiros

Depoimentos de friburguenses que estão à procura de um grande amor, mas de bem com a vida
sábado, 18 de agosto de 2018
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Antes só do que mal acompanhado: a filosofia dos solteiros
“Solteiro no Rio de Janeiro, parado em qualquer praia, solto em qualquer lugar”. Essa edição é dedicada a quem não usa aliança (e não pretende usar) e a quem ainda não perdeu as esperanças de juntar as escovas de dentes. A última quarta-feira, 15, pode ter passado despercebida, afinal, não está no calendário das datas comemorativas, mas nem por isso o dia foi esquecido. Afinal, tem muita gente bem resolvida vivendo suas aventuras “all by myself”. E mesmo quem ainda espera um grande amor não vive na tristeza, apenas acumula experiência para os próximos amores, até acertar em cheio.

" eu tenho certeza de que o amor da minha vida ainda vai chegar e nós vamos ser felizes pra sempre"

Millena Bittencourt

Reunimos depoimentos diferentes de pessoas que se alternam entre a vibe de Wesley Safadão - “Meus amigos voltei, eu tava ficando louco, bora beber que eu tô solteiro de novo”, Jamil - “Sou praieiro, sou guerreiro, quero mais o quê?”, Leandro & Leonardo “Não vou deixar de ser um sonhador, pois sei vou encontrar, no fundo dos meus sonhos: o meu grande amor”, e do Molejão, “Não era amor, era cilada”.

Depois de ler as reportagens sobre o tema, da próxima vez que aquele parente perguntar “E as(os) namoradinhas(os)?”, a resposta vai estar na ponta da língua.

Priscila Macedo Mengali, 35 anos

"Estar solteira já me causou alguns incômodos, principalmente quando encontrava alguns conhecidos da época da minha adolescência e uma das primeiras perguntas era: "casou?" ou "tem filhos?". Diante da resposta negativa, as expressões faciais deles eram piores que as perguntas. A maioria de nós foi criada pra ver o casamento como melhor destino possível, mas nem sempre isso acontece. E aí? Aí vem aquela pressão toda depois dos 30, na qual todo mundo quer saber por que você ainda não casou. Essa não é uma pergunta simples como dois mais dois são quatro.

O incômodo vem, e muitas vezes não conseguimos perceber se esse incômodo é gerado porque você quer mesmo casar ou porque você está frustrando as expectativas das pessoas, principalmente da sua família. Mas afinal, de quem é essa demanda por casamento? É nossa ou dos outros? Estar solteira tem os lados positivo e negativo, como tudo na vida. Posso dizer que o lado bom desse momento é poder estar mais próxima dos meus amigos, ter uma vida social mais agitada, mudar meus planos de uma hora para outra sem ter com quem me preocupar. Se pretendo me casar? Sim, pretendo e desejo, mas não quero me casar "pra cumprir etapa", ou "porque já está na hora" (hora de quem?) ou porque biologicamente não poderei mais ser mãe se eu demorar muito. Sou romântica sim, hoje menos do que há alguns anos, talvez essa seja parte da resposta para "Por que você ainda não se casou?". Sempre sonhei em encontrar um amor, isso não necessariamente incluiria o sonho de casamento ou de ter filhos.

Ah, os filhos... Se pretendo tê-los? Ainda não sei. Adoro crianças, mas como nunca foi meu sonho ser mãe, eu vejo os filhos como uma consequência de uma relação que construímos com alguém, do desejo dos dois de tê-los ou não. Acredito que o importante é aproveitar o que a vida te oferece no momento, sem perder de vista o que se quer. Infelizmente, muitas das vezes focamos tanto em algo e esquecemos que a vida está passando."

Música que define meu atual momento: "A cor do sol" do Cidade Negra.

Thais Spoleta, 30 anos

"Quando criança, as amigas sempre falavam que queriam casar, que o casamento ia ser assim ou assado. Eu achava esse assunto um saco porque não tinha o mesmo sonho, até me sentia um ET por pensar diferente. Minhas amigas falavam “Thais, você não sonha em ter um marido lindo e perfeito?” e a minha resposta era a de que isso só acontecia nos contos de fada. O que eu queria mesmo era dominar o mundo, viajar, conhecer lugares e culturas diferentes e não me prender a uma pessoa. O tempo foi passando, conheci pessoas diferentes, até namorei, mas não tinha vontade de casar e nem de juntar (o que, na minha visão, não deixa de ser um casamento). Há três anos eu namorava uma pessoa e ele terminou comigo porque eu não queria casar. Lembro que fiquei triste, mas na época fiquei pensando se ele não quis me fazer mudar de ideia, mas realmente essa vida não era pra mim. De dois anos pra cá me veio à vontade de ser mãe, mas, como não posso ter filhos, fui pesquisar de que forma eu poderia ser mãe e uma delas é por meio da adoção, a outra é fazer uma inseminação artificial numa outra pessoa como uma barriga de aluguel (as leis brasileiras só permitem para parente de primeiro grau) - o que é muito burocrático.  Hoje, aos 30 anos, sou super bem resolvida, tenho uma excelente carreira profissional, altamente independente e estou em busca do meu maior sonho: ser mãe."

Não há música que defina meu momento atual.

Milena Bittencourt, 19 anos

"Meu maior sonho na vida é casar, então, cada pessoa que eu conheço, já acho que é o amor da minha vida. Não ligo se rirem de mim, mas é a realidade, é o meu jeito. Já fico imaginando o casório completo, lua de mel, nossa casa mobiliada! Cada romance que eu vivo, quando acaba, é uma decepção amorosa diferente. O jeito é rir pra não chorar mesmo. Já recebi desculpas como “não tô querendo namorar ninguém agora” e deu uma semana, a pessoa estava de volta com a ex. Já me apaixonei por um cara que logo depois engravidou uma menina que trabalhava perto dele e eles começaram a namorar. Das minhas últimas decepções, teve um cara que trabalhava em bar e toda vez que eu chegava lá, eu o cumprimentava, de boa, de forma gentil, até que um dia só passei lá na frente, deu cinco minutos e ele me mandou a seguinte mensagem: “Se vc vier aqui, não me abraça não, a outra menina que eu fico, tá aqui, e ela vai ficar com ciúmes”. Fiquei sem saber onde colocar a cara. Tirando que já perdi as contas de quantas vezes minhas paixonites ficavam com outros mulherões na minha frente. Mas, independentemente de todas essas decepções, eu tenho certeza de que o amor da minha vida ainda vai chegar e nós vamos ser felizes pra sempre. Não desisto mesmo, hahahaha!"

Música que define o momento atual: Meu Erro – Paralamas do Sucesso

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O grande amor a um “like” de distância: como os aplicativos facilitam na hora do flerte

Paquerar hoje em dia está muito mais fácil. Isso porque não é preciso sair de casa para começar a conversar com alguém que tenha manifestado algum tipo de interesse por você. Mesmo antes dos aplicativos de paquera, como Tinder, Happn e Badoo (os três apps com mais números de usuários no mundo), já era possível flertar, via rede social e chats online. A diferença é que os aplicativos te direcionam realmente para o flerte. E não há dúvida: quem está ali quer conhecer alguém, mesmo que em um primeiro momento esteja só “procurando amizades”.

Quem usa o Tinder, por exemplo, pode vencer a timidez do “ao vivo” e conversar com uma pessoa tranquilamente através de mensagens de celular. O papo preliminar passa confiança e prepara para o encontro pessoal. Cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo possuem o Tinder. O Brasil corresponde a cerca de 10% dessa totalidade, tamanho o sucesso que o aplicativo faz por aqui.

Os apps são, relativamente, mais seguros quanto às falsas informações. Claro que ainda é possível burlar o sistema colocando fotos de outras pessoas, ou digitando no perfil características que não são suas, mas aqueles que usam de maneira séria e consciente puderam conhecer os candidatos às suas almas gêmeas.

A seguir, dois depoimentos de quem usa os aplicativos para conhecer pessoas:

Fábio Areias, 24 anos

"Os apps de relacionamento têm me ajudado desde que terminei um namoro de quase cinco anos. Estar de volta à vida de solteiro após muito tempo num relacionamento não foi fácil, e esses aplicativos conseguiram me fazer perder a vergonha de conversar com meninas que ainda não conhecia. Hoje, mesmo depois de me acostumar com a vida de solteiro, os aplicativos continuam no meu celular, pois eles abrem portas para conhecer pessoas que eu não conseguiria conhecer no dia a dia. Nos apps existem todos os tipos de pessoas, desde as mais “desesperadas” para conseguir um namoro, até as mais fechadas ou as que só querem curtir e ter relacionamentos rápidos e casuais. O Tinder já me proporcionou  encontros casuais e também já me fez encontrar uma menina com quem cheguei muito perto de ter um namoro. É uma gangorra, mas, quando se é franco e está aberto a ter novas experiências, tudo pode acontecer."

Guilherme Alt,  31 anos

Quando pautado para fazer o Caderno Z sobre o Dia dos Solteiros, me perguntei: “Me incluo ou não?”. Então, estou aqui, me jogando de cabeça nessa matéria e me colocando do outro lado da moeda, ou da caneta, para saber como os nossos personagens se sentiram escrevendo para o caderno. Por que, para algumas pessoas, como bem disse a Priscila Mengali, é um incômodo (gerado por nós ou pelo outros) falar da vida de solteiro? Há quem trate do assunto com naturalidade e há aqueles que se recusam. Assim são nos aplicativos. Muita gente quer estar no Tinder, mas são poucos os que “aceitam” estar ali. Afinal, é dizer ao mundo que você quer “desencalhar”. Mas, ora bolas, se você não está namorando, mas quer estar, qual o problema de ir à procura de alguém e utilizar a tecnologia a seu favor? Por que esse tabu? Por que vemos em certos perfis a descrição “vou mentir como nos conhecemos”? Não! Se assuma! Seja sincero com você mesmo (a). Não é vergonha ir atrás da sua felicidade, não é vergonha estar solteiro (a) e procurar um amor. E lá estou eu, em um desses aplicativos. Pelas mesmas razões que o Fábio Areias descreveu aqui acima. Tive muitas experiências, entre boas, ruins e inusitadas, com as quais aprendi sempre alguma coisa, com todas elas. Conheci pessoas interessantíssimas e algumas delas, apesar de o objetivo inicial ser o flerte, viraram grandes amigas e fontes preciosas para várias reportagens. Quando se é franco com você mesmo, o campo das possiblidades e experiências se expande, assim como as chances de dar certo. Sem pressa, sem “neura”, sem tabu, continuarei me jogando de cabeça nos desafios da vida, em busca do “match” perfeito.

 

 

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