Alerj pode destinar parte do seu orçamento para o Hospital do Câncer

Ex-deputado Wanderson Nogueira quer formar frente para convencer presidente da Casa a transferir sobras para retomada das obras na unidade
terça-feira, 16 de julho de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Wanderson Nogueira: mesmo sem mandato, luta pela retomada das obras do hospital (Arquivo AVS)
Wanderson Nogueira: mesmo sem mandato, luta pela retomada das obras do hospital (Arquivo AVS)

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) pode destinar parte do que economizar em seu orçamento anual para a retomada das obras no Hospital do Câncer, em Nova Friburgo. O assunto vem sendo discutido pelo ex-deputado estadual Wanderson Nogueira com o presidente da Casa, deputado André Ceciliano (PT). Mesmo sem mandato, Wanderson quer formar uma frente para convencer Ceciliano a transferir o que sobra anualmente nas contas da Alerj para a nova unidade, cujas obras estão paralisadas desde 2016.

“O presidente (da Alerj) está bastante sensível ao tema e os recursos economizados pela assembleia podem ser o caminho mais rápido para que as obras sejam retomadas logo”, acredita Wanderson Nogueira, que tentou se reeleger em 2018, mas não obteve os votos suficientes. O político friburguense, porém, segue atuando na casa legislativa como coordenador do Parlamento Juvenil. 

A transferência de sobras do orçamento anual da Alerj para as obras no Hospital do Câncer seria uma estratégia para a obtenção de parte dos recursos necessários para execução dos serviços. Estima-se que o novo projeto da unidade custe R$ 40 milhões. Segundo Wanderson, no ano passado, a Alerj repassou aproximadamente R$ 5 milhões dos recursos economizados para o estado fazer o pagamento de atrasados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do distrito de Conselheiro Paulino e para a compra de medicamentos. 

O ex-deputado disse ainda que em 2018, quando fazia parte do parlamento, incluiu no orçamento de 2019 da Alerj, através de emenda aprovada por unanimidade, recursos para a retomada das obras no Hospital do Câncer. Wanderson Nogueira afirmou que como o ex-governador Luiz Fernando Pezão perdeu a verba federal e não cumpriu a promessa de executar as obras com recursos próprios do estado, o caminho seria via Alerj.

“O caminho pela verba federal é o mais difícil. O estado não conseguiu em seis anos apresentar a documentação exigida e dificilmente conseguirá agora. Ainda que o novo governo trabalhe prioritariamente por isso, ainda que a União ofereça o recurso, a natural burocracia faria a retomada das obras demorar no mínimo dois anos. E, isso tudo feito com perfeição. Enquanto isso, as famílias sofrem. As contas do estado melhoraram, mas continuam capengas”, disse o ex-deputado, que acrescentou: “A articulação que fizemos no final do ano passado deu certo. Com a vontade expressa do presidente em auxiliar, podemos ter essa grande conquista com um legado da Alerj para a história do interior do estado, especialmente da nossa região”.

Ideia é unir forças

Segundo Wanderson Nogueira, o objetivo agora é formar uma grande frente, independente de partidos e posições políticas, em prol da retomada das obras. “Há um aceno positivo do André Ceciliano que tem se mostrado um grande parceiro do governo estadual na questão da segurança pública. Muitos recursos economizados pela sua gestão de austeridade tem sido doados ao estado. Mas a nossa questão aqui é o tratamento do câncer”.

Wanderson disse também que vai fazer um convite ao prefeito Renato Bravo e ao presidente da Câmara de Nova Friburgo, Alexandre Cruz, aos demais vereadores e deputados interessados, para discussão do assunto com o presidente da Alerj. O próprio André Ceciliano (foto) já estaria em conversas com o secretário de estado de saúde, Edmar Santos, para tentar viabilizar uma saída para o sonhado hospital. 

“O deputado estadual Sérgio Louback (PSC) é parceiro nessa luta e também está a par desse movimento. Todos que quiserem se unir são mais que bem-vindos. Estou calejado no tema. Foram quatro anos quase que solitários nesta batalha. Mesmo sem mandato, temos a experiência, os envolvidos e todo histórico que nos mostram os melhores caminhos. Tenho muita esperança na sensibilidade e vontade demonstradas do presidente da Alerj. Mas toda cautela e estratégia são fundamentais, justamente para evitar expectativas que depois frustrem a nossa população”, disse Wanderson.

Promessa de Witzel

A entrega do Hospital do Câncer é uma promessa de campanha do governador Wilson Witzel. Em abril, o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, esteve em Nova Friburgo para uma vistoria no canteiro de obras do hospital, localizado na Ponte da Saudade, e disse que trabalha na conclusão do orçamento e cronograma para a retomada dos serviços. Ele afirmou ainda que a unidade não prestará somente atendimento oncológico, mas também cardiovascular.

“Os projetos estão adiantados. A obra vai ser feita com recursos do estado e recursos federais que nós iremos buscar em Brasília. O custeio do hospital será feito pelos entes estadual, federal e por um consórcio de municípios, já que a unidade será regional”, afirmou Edmar Santos na ocasião.

A Secretaria estadual de Infraestrutura e Obras informou a A VOZ DA SERRA que recebeu da Secretaria estadual de Saúde o novo escopo reduzido, em relação ao elaborado inicialmente, do Hospital do Câncer, com as modificações apontadas pelo corpo técnico da Secretaria de Saúde. O documento é analisado pela Empresa de Obras Públicas (Emop), mas o governo do estado não possui recursos para investimentos. 

Projeto menor

Iniciadas em 2015, as obras de adaptação do antigo Centro Adventista de Vida Saudável (Cavs), onde funcionará o hospital, foram paralisadas um ano depois por atrasos de repasses à construtora que realizava os serviços. De lá para cá, o espaço foi furtado, depredado, ocupado por moradores de rua e até atingindo por um princípio de incêndio.

No ano passado, o governo de Luiz Fernando Pezão perdeu R$ 50 milhões da União para a construção da unidade devido a irregularidades no convênio firmado com o governo federal. O projeto original, que previa 200 leitos, 288 atendimentos, e quatro mil cirurgias por ano, foi reduzido para caber nos cofres do estado. O hospital agora terá dois prédios em vez de três. Também foi diminuída a quantidade de equipamentos e leitos.

 

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