Ajustes inadiáveis

quinta-feira, 29 de março de 2018
por Jornal A Voz da Serra

PRESSIONADO pelas recentes investigações sobre ilegalidade em decreto dos portos, o presidente Michel Temer procura desviar as atenções da sociedade para seu pacote de reformas e tenta convencer o Congresso de que esse é o melhor caminho para o país. Já se cogita até mesmo retomar o esforço para votação da reforma da Previdência ainda este ano. Para tanto, será preciso antecipar o fim da intervenção federal na segurança público do estado do Rio.   

AINDA QUE pareça apenas uma escapatória para ocultar a realidade com uma agenda positiva, é adequado que o governo e o Congresso concentrem esforços para destravar as reformas estruturais necessárias à retomada das atividades econômicas e do desenvolvimento. 

PORÉM, AO flexibilizar vários pontos da reforma da Previdência, tornando-a menos rigorosa para determinados segmentos, especialmente para os que demonstram maior poder de reação, o governo confunde a população, amplia as dúvidas sobre o assunto e dá munição aos críticos para a campanha de desconstrução do projeto que pode mesmo cair no colo do próximo mandatário. 

PARA O Brasil almejar um futuro digno, precisa tanto da Operação Lava-Jato quanto das reformas em tramitação. Não pode haver retrocesso nas investigações e na punição de todos os que degradaram a política e transformaram a administração pública num balcão de negócios escusos. Da mesma forma, são inadiáveis os ajustes das contas públicas e o equilíbrio do sistema previdenciário.  

AINDA QUE governantes e parlamentares citados por delatores estejam sob suspeição, todos mantêm a legitimidade para o exercício de suas atribuições enquanto não forem condenados pela Justiça. E sempre é bom lembrar que ninguém pode ser considerado culpado apenas por ter sido mencionado por denunciantes.

ALÉM DISSO, deve-se reconhecer que nem todos os políticos estão sob suspeição, embora a tendência de cidadãos compreensivelmente indignados seja a generalização. Portanto, não há incompatibilidade em tocar simultaneamente a reforma da Previdência e a Operação Lava-Jato.

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