8 de Julho - Dia do Padeiro e de Santa Izabel

sábado, 06 de julho de 2019
por Jornal A Voz da Serra
8 de Julho - Dia do Padeiro e de Santa Izabel

O pão é o alimento mais consumido em todo o mundo, produzido em quase todas as sociedades. Entretanto, sua forma, aspecto e sabor sofreram alterações ao longo dos tempos, que remontam a três, quatro, talvez, até mesmo seis mil anos, e sua produção foi se alterando até chegar à extensa variedade disponível para os consumidores, hoje.

Alguns estudos, aliás, apontam que os pães começaram a ser produzidos há cerca de seis mil anos, na Mesopotâmia (atual Iraque), e difundidos por várias civilizações da antiguidade. Sua origem está intimamente ligada ao processo de sedentarização do homem, quando se iniciou o desenvolvimento da agricultura, sendo o trigo um dos cereais resultantes dessa atividade produtiva.

O processo de fermentação foi uma técnica desenvolvida pelos egípcios por volta de 4000 a.C., dando ao pão o aspecto tal como o conhecemos na atualidade. Por ser um produto extremamente necessário à alimentação, durante séculos ele foi usado também como moeda. Em Roma, o pão era um dos componentes da política do panis et circenses (pão e circo), utilizada pelos imperadores para manter uma satisfação aparente da população, desviando a atenção das disputas de poder e das condições de vida a que o povo estava submetido. O trigo era distribuído em espetáculos públicos pela administração do império.

Na Idade Média, o pão era feito artesanalmente no ambiente doméstico pelos camponeses. A limitação agrícola e técnica que tinha essa classe social não possibilitava a produção de pães fermentados, o que resultava em um produto de qualidade inferior. Situação diferente dos senhores feudais, que consumiam pães de melhor qualidade produzidos nas padarias dos castelos. Foi também neste período histórico que surgiu a figura do padeiro, que aos poucos passou a se organizar em corporações de ofícios, controlando assim o processo de produção do alimento e gozando de certo prestígio nas cortes.

Novos tempos

Com a Revolução Industrial, a produção do pão ganhou um forte impulso, tanto no aumento de terras destinadas ao plantio do trigo, como no desenvolvimento de técnicas de moagem do cereal nos moinhos, passando destes moinhos de tração animal ou humana aos moinhos a vapor, que começaram a surgir em 1784. A grande produção que se verificou, então, se destinava a alimentar principalmente a classe operária que crescia nas cidades industriais, criando condições para uma produção em larga escala.

O pão chegou a ser inclusive um dos motivos de eclosão da Revolução Francesa. Sendo base da alimentação da população francesa há séculos, a severa queda na produção do cereal tornou o alimento caro e escasso. Este foi um dos motivos que levaram à revolta da população francesa e à queda do rei Luís XVI, cuja esposa, Maria Antonieta teria sugerido ao seu povo: “que comam brioches!” Dois anos depois, perdeu a cabeça na guilhotina, assim como o rei. Pão é coisa séria e como tal deve ser considerado. 

Hoje em dia, o pão está disseminado mundo afora. Sua fabricação envolve vários métodos diferentes, que resultam numa variedade enorme de tipos, qualidades, cores e sabores. Apesar dessa disseminação, uma boa parcela da população mundial, ainda não tem acesso a esse alimento, em seu dia a dia. 

Santa Isabel e a lenda 

O Dia do Panificador foi criado em homenagem à Santa Isabel de Portugal, conhecida popularmente como a “Padroeira dos Padeiros”. De acordo com a lenda, durante o século 14, Portugal enfrentava uma forte e interminável crise e as pessoas passavam fome. Para ajudar os mais carentes, a rainha Isabel de Aragão, distribuía anonimamente pães para os pobres.

Certo dia, pesquisadores apontam para um 8 de julho, quando se preparava para distribuir os pães, o rei Dom Dinis I interceptou-a e exigiu que ela mostrasse o que escondia no avental. A rainha respondeu que levava rosas, o rei não acreditou e pediu que Isabel revelasse o conteúdo misterioso. Ao abrir o avental, várias rosas caíram ao chão e os súditos presentes (que iam receber os pães) começaram a gritar: “Milagre! Milagre”. E a rainha se tornou santa. 

 

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